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Amizade

Sexta-feira, 10.06.16

 

 

Passamos a maior parte da nossa vida

todo um percurso

à procura de um lugar que sabemos existir

porque já nos aproximámos o suficiente 

para saber que existe

 

Dizem-nos que isso só nos livros ou nos filmes

e deixamos de falar nisso

Sabemos bem que depois de ver essa claridade

e sentir o seu calor

nada nos poderá confortar

não é essa a nossa natureza

 

Um dia o tempo pára

e cruza as suas linhas e voltas por um segundo

Somos de novo quem fomos um dia

a criança que sabia e que se projectava no futuro

 

Um segundo é quanto basta

para misturar as linhas e voltas do tempo

O amigo imaginário está ali

carne e osso

voz própria

ideias definidas

 

Somos dois agora

e é como se o mundo inteiro estivesse do nosso lado

e não do outro lado

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:12

Eleições presidenciais 2016

Terça-feira, 05.01.16

Tenho acompanhado a maior parte dos debates televisivos com os candidatos a Presidente. Há quem diga que os debates são muito maçadores e que não vão alterar a escolha dos eleitores. No meu caso, têm sido muito divertidos e esclarecedores.

Há perfis para todos os gostos. E mesmo que saibamos que a tendência de qualquer candidato é dar a melhor imagem de si mesmo, é impossível representar todo o tempo. Há momentos fugidios em que se revelam na sua autenticidade. É preciso estar muito atento para os apanhar.

 

Aqui já tinha referido qual o perfil ideal de Presidente, sobretudo na actual situação do país. Portanto, no meu caso, é só perceber quem corresponde ao perfil que aí considerei. Interessante é perceber que uma pessoa pode ser perfeita para um lugar numa determinada circunstância. Sim, é Marcelo Rebelo de Sousa

 

Surpresas positivas dos debates: Maria de Belém e Marisa Matias, as duas mulheres. Maria de Belém pela sensatez e organização. Marisa Matias pela sua vivacidade e coragem.

Maria de Belém daria uma boa Presidente numa situação estabilizada do país, o país mais animado, mais alegre, mais optimista. Não é o caso.

Marisa Matias pode vir a ser uma boa Presidente daqui a alguns anos. E, do mesmo modo, com o país numa situação económica e social normalizada. Esperemos que isso venha a ser o nosso futuro daqui a uns anos. 

 

Prémio de consolação: mesmo considerando que há candidatos com mau feitio e um ou outro mesmo torcidinho, os nossos comportam-se de um modo muito mais civilizado do que os candidatos americanos.

 

Sim, os trunfos de Marcelo são a força do sorriso e o afecto. Marcelo, o Conciliador.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:06

A luz do Natal

Quinta-feira, 24.12.15

Este ano o Natal encheu a casa, iluminou-a. Tal como antes, há muitos anos. Passou de uma marcação no calendário, festa de família, para abranger todos os que cabem lá. Lá = o espaço dos afectos, que é infinito.

É assim que este Natal chegou... com as famílias de refugiados de uma guerra. Crianças sem pais também vieram. E muitos jovens com a esperança de encontrar um lugar neste lado de cá.

 

O menino nasceu, como nasce todos os anos. Vemo-lo sorrir de braços abertos. É a imagem mais surpreendente num mundo que se fechou sobre si próprio. Fronteiras geográficas e muros.

Alguns países acolheram as famílias que chegam. Que a luz do Natal continue a iluminá-los.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:23

O cinema e a vida: envelhecer de forma simples, digna, livre, poética

Terça-feira, 04.06.13

 

Este é o meu David Lynch preferido (o que não é difícil... nunca entendi muito bem a sua cultura muito emocional e a sua estética onírica escapa-me completamente).
Mas esta viagem simboliza o que os afectos conseguem ultrapassar: limitações, dificuldades, obstáculos, contrariedades. 
Nesta viagem há encontros de pessoas simples o que os torna maravilhosamente complexos. A rapariga que fugiu de casa, os jovens ciclistas, o casal que o acolhe no jardim.
E conversas filosóficas sobre a vida, a guerra, os filhos, e envelhecer. Envelhecer de forma simples, digna, livre, poética.  
A vida como uma viagem.
  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:48

A publicidade como comunicação: os fios, os laços, os afectos

Domingo, 10.03.13

 

Sou alérgica a campanhas publicitárias agressivas e invasivas que utilizam as fragilidades humanas como a necessidade de agradar, o receio da rejeição, a crítica boçal, o riso larval, a ausência de respeito pelo outro. No fundo, a pressão para adquirir o produto porque todos os que contam o adquirem.

Também a sedução pelo lado mais fácil e preguiçoso não me atrai: um produto, um serviço ou uma ideia valem por si próprios ou não valem o preço da sua aquisição. Só assim se percebem certos embrulhos que escondem a falta de qualidade. A política entra neste pacote.

 

As novas formas de publicitar um produto, um serviço ou uma ideia, podem configurar e incorporar uma mensagem. São novas formas de comunicação.

As que mais me fascinam são precisamente as que apelam à inteligência emocional, seja pela criação de ligações entre as pessoas, seja pelo sentido de humor, seja pelo absurdo. Também as que informam sobre o produto ou serviço, a sua utilidade e potencialidades. 

Vou procurar seleccionar aqui as melhores campanhas publicitárias que vi recentemente. A primeira é esta, da Milaneza que, em colaboração com a RFM, desafiou os seus ouvintes com o mote: "Pode Milaneza ser mais do que massa?" O resultado é muito interessante, como podem verificar:

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:39

A música e a vida: o que permanece

Sexta-feira, 12.10.12

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:20

A música e a vida: razões para viver

Quinta-feira, 05.07.12

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:10

A família como espaço de liberdade

Segunda-feira, 24.10.11

 

Associamos a família à ideia de refúgio e protecção (pais), apoio afectivo e elos fiáveis (casal), projecção no futuro (filhos). Mas raramente nos ocorreria associá-la à ideia de liberdade.

Algum dia leram o livro de George Orwell, 1984? Ou viram o filme? É mais um desafio que vos deixo, caros Viajantes.

No livro e no filme está lá essa ideia fundamental: o espaço de liberdade individual começa no espaço exacto dos afectos, dos laços afectivos. É aí que ele deixa de estar completamente só, vulnerável, exposto à domesticação social. 

Este primeiro espaço afectivo pode ser alguém significativo que cuidou dele, ou apenas a memória de alguém que o tenha olhado com carinho, ou mesmo ainda a memória remota de canções infantis. Essa é a base possível para poder reconhecer num outro alguém a possibilidade de construção de laços fiáveis, espaço onde mais ninguém pode entrar, esse mundo invasivo e manipulador.

Os tempos que vivemos actualmente, no país e na Europa, não são assim tão distantes desse lugar opressivo do 1984 de Orwell, estamos lá perto. Daí a importância da família-espaço de liberdade, dos afectos-espaço de liberdade, da amizade-espaço de liberdade, do respeito por si próprio e pelos outros-espaço de liberdade.  

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:58

Portugal, a velha casa

Sexta-feira, 10.06.11

 

Portugal das nuvens brancas de Maio

dos sorrisos luminosos

das canções populares

dos rios frescos

das cidades brancas

dos poetas esquecidos

das árvores resistentes

da família e dos amigos

dos festejos

dos abraços

 

Portugal, a velha casa

a que nunca se abandona

a que nunca se esquece

a que nos prendeu a alma

e nos encheu de alegria

 

Que eu saiba guardar sempre

a tua claridade

 

 

 



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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:13

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

Sábado, 12.02.11

 

 

Olho para trás e já não te vejo

Quem eu vejo é um reflexo criado por mim

 

O caminho está deserto de novo

mas não de uma forma desagradável

O sol ilumina tudo como numa paisagem irreal

 

Vejo pela primeira vez as marcas dos meus passos

e estranho a sua terrível consistência

Sempre gostei de insistir nos mesmos erros

 

Acordei de um sono longo

e já não poderia respirar nessa ficção


Estes são os efeitos secundários da verdade

uma vez vislumbrada, nada a poderá substituir

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:28








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